Estado da Descarbonização do Aço 2026
O aço é a maior fonte industrial isolada de dióxido de carbono, responsável por algures entre 7% e 9% das emissões globais. O caminho para abandonar o carvão é agora tecnicamente claro — reciclar mais sucata em fornos elétricos, reduzir o ferro com hidrogénio limpo em vez de coque, e capturar o que sobra — mas a economia ainda favorece o alto-forno. Este relatório compila os números públicos sobre a situação real da descarbonização do aço em 2026 e onde os analistas ainda discordam.
O aço ainda acarreta cerca de duas toneladas de CO2 por tonelada de metal
Source: World Steel Association — Climate change and the production of iron and steel (2025)
Cerca de 1,89 mil milhões de toneladas de aço bruto foram produzidas em 2024, e o setor continua a ser uma das atividades mais intensivas em carbono do planeta. A World Steel Association reporta que, em 2023, cerca de 1,92 toneladas de CO2 foram emitidas por cada tonelada de aço bruto vazado, numa base de emissões diretas. Contabilizar o ciclo de vida completo empurra o valor para cima — a contabilidade mais ampla da worldsteel, que acrescenta metano, óxido nitroso e mineração a montante, situa a intensidade de 2024 mais perto de 2,18 toneladas de CO2-equivalente por tonelada. A diferença entre esses dois números não é ruído; reflete um debate em curso sobre onde deve situar-se a fronteira do sistema, e importa para qualquer alegação de «aço verde».
A rota elétrica está a crescer, mas o alto-forno ainda faz a maior parte do aço
Source: World Steel Association — World Steel in Figures 2025 (2025)
A rota convencional mais limpa — fundir sucata reciclada num forno de arco elétrico — atingiu cerca de 29,1% da produção global de aço bruto em 2024, face a 28,6% no ano anterior. É um progresso real, mas deixa a rota do alto-forno e do conversor a oxigénio, movidos a carvão, a representar cerca de 70% da produção. A restrição é tanto física como financeira: só há tanta sucata para reciclar, e o aço primário feito a partir de minério de ferro ainda precisa de uma etapa de redução que hoje provém esmagadoramente do coque. Enquanto essa rota primária não mudar, as emissões de destaque mal se movem.
O hidrogénio limpo é a resposta para o aço primário — a um prémio de custo
Para o aço à base de minério, a principal rota de baixo carbono é a redução direta por hidrogénio: usar hidrogénio em vez de coque para retirar o oxigénio do minério de ferro e depois fundir o resultado num forno elétrico. O senão é o preço. As análises situam o DRI à base de hidrogénio em cerca de 30% mais caro do que a rota do DRI a gás natural hoje, com o hidrogénio renovável só por si a representar algo como 15% a 40% do custo final do aço verde. Se esse prémio se estreita depende quase inteiramente do custo futuro do hidrogénio verde e da eletricidade limpa, razão pela qual as previsões divergem tanto. A tecnologia está comprovada; a economia ainda precisa de fixação de preços do carbono, compromissos de compra antecipada ou subsídio para fechar a lacuna.
FAQ
Por que é o aço tão difícil de descarbonizar?
O aço primário é feito reduzindo minério de ferro, o que hoje usa coque — um processo que liberta CO2 quimicamente, e não apenas pelo calor. Mudar o fornecimento de eletricidade do forno não resolve isso. Exige uma rota de redução diferente, como a redução direta por hidrogénio, ou captura de carbono, ambas mais caras do que o alto-forno convencional.
O aço reciclado é o mesmo que aço verde?
Reciclar sucata num forno de arco elétrico é muito menos intensivo em carbono do que fazer aço a partir de minério, e já fornece cerca de 29% da produção mundial. Mas a sucata é limitada, pelo que não pode satisfazer toda a procura. O aço primário verdadeiramente de baixo carbono precisa de hidrogénio limpo ou captura de carbono, pelo que «aço verde» se refere normalmente a essas rotas e não apenas à reciclagem.
Sources
- World Steel Association — Climate change and the production of iron and steel
- World Steel Association — World Steel in Figures 2025
- Lawrence Berkeley National Laboratory — Green steel: design and cost analysis of hydrogen-based direct iron reduction
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