Estado da Descarbonização do Cimento e Betão 2026
O betão é o material mais usado do planeta a seguir à água, e o cimento que o liga representa cerca de 7-8% das emissões globais de CO2. A maior parte desse carbono é libertada pela química, e não pela combustão — o que faz do cimento um dos materiais mais difíceis de limpar. Este relatório compila os números públicos sobre a situação da descarbonização do cimento e do betão em 2026 e sobre que alavancas a indústria está de facto a contar.
A maior parte das emissões do cimento vem da química, não da fornalha
Source: IEA — Cement — Energy System (2024)
O problema de carbono do cimento é invulgar: cerca de 60% do seu CO2 provém da calcinação — a decomposição química do calcário em cal dentro do forno — enquanto apenas cerca de 40% provém da queima de combustível para atingir os cerca de 1450 °C que o processo precisa. Essa divisão é decisiva. Mudar para combustíveis mais limpos ou calor elétrico aborda a fatia menor; a fatia maior, das emissões de processo, é libertada independentemente de como o forno é aquecido. É a maior razão isolada pela qual o cimento não pode ser descarbonizado só pela eficiência energética e por que a indústria se apoia tão fortemente na captura de carbono nos seus planos.
A indústria aposta na captura de carbono para fazer o trabalho pesado
Source: Global Cement and Concrete Association — Concrete Future — The GCCA 2050 Net Zero Roadmap (2021)
No roteiro de zero líquido para 2050 da Global Cement and Concrete Association, a captura, uso e armazenamento de carbono é a maior alavanca isolada — esperando-se que entregue cerca de 36% das reduções de CO2 necessárias até meados do século. O resto distribui-se por produção mais eficiente de cimento e betão, rácios de clínquer mais baixos, eletricidade descarbonizada, design mais inteligente e a lenta reabsorção de CO2 pelo betão ao longo da sua vida. A dependência da captura é também o maior risco do roteiro: muito pouco CCUS do setor cimenteiro opera à escala hoje, pelo que um terço do plano assenta numa tecnologia que ainda tem de provar que pode ser implementada amplamente e a custo acessível.
Reduzir o rácio de clínquer é a alavanca mais barata disponível agora
Source: Global Cement and Concrete Association — Concrete Future — The GCCA 2050 Net Zero Roadmap (2021)
A forma mais imediata de reduzir a pegada do cimento é usar menos clínquer — o ingrediente intensivo em carbono — por tonelada de cimento, substituindo-o por materiais como escória, cinzas volantes ou argila calcinada. O rácio global de clínquer-cimento situa-se hoje em cerca de 0,63 e a GCCA tem como meta cerca de 0,58 até 2030 e 0,52 até 2050. Cada passo em baixo reduz simultaneamente as emissões de processo e de combustível, não exige nenhuma nova tecnologia de rutura e já é comercial. O limite é o fornecimento de materiais substitutos adequados e os códigos de construção que ainda especificam misturas de alto clínquer, razão pela qual a queda projetada é gradual e não acentuada.
FAQ
Por que não pode o cimento simplesmente mudar para energia limpa?
Porque a maior parte do CO2 do cimento — cerca de 60% — provém da calcinação, a reação química que transforma o calcário em cal. Esse carbono é libertado independentemente de como o forno é aquecido. Os combustíveis limpos e a eletrificação só abordam a fatia de combustão de cerca de 40%, pelo que o cimento também precisa de captura de carbono e de menor teor de clínquer para se aproximar do zero líquido.
O que é o rácio de clínquer-cimento e por que importa?
É a proporção de clínquer — o ingrediente intensivo em carbono — no cimento acabado. Reduzi-lo misturando escória, cinzas volantes ou argila calcinada corta as emissões diretamente. O rácio global é hoje cerca de 0,63, com metas da indústria perto de 0,52 até 2050. É a alavanca de descarbonização mais barata e mais prontamente disponível, limitada sobretudo pelo fornecimento de materiais substitutos e pelas normas de construção.
Sources
- IEA — Cement — Energy System
- Global Cement and Concrete Association — Concrete Future — The GCCA 2050 Net Zero Roadmap
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