Cogeração para a indústria

Como a cogeração capta o calor que a geração de eletricidade normalmente desperdiça, por que tem de ser dimensionada para a procura de calor, e onde se enquadra à medida que as redes se descarbonizam.

O que é a CHP e por que pode ser eficiente

A cogeração, ou CHP, gera eletricidade no local e capta o calor que a geração de outra forma desperdiçaria. Uma central elétrica convencional deita fora a maior parte da energia do combustível como calor de baixo grau; uma instalação de CHP situa-se junto a uma procura de calor e usa esse calor em vez de o rejeitar. Ao fazer ambos os produtos a partir de um lote de combustível, uma CHP bem aplicada pode usar uma parcela muito mais alta da energia do combustível do que a geração separada e uma caldeira separada.

Essa elevada utilização do combustível é todo o objetivo da CHP. Só se atinge se o calor for genuinamente usado — e é por isso que a CHP é fundamentalmente uma decisão liderada pelo calor, não pela eletricidade.

Por que a CHP tem de ser dimensionada para a procura de calor

A vantagem de eficiência da CHP depende de o calor recuperado ser usado. Se uma unidade de CHP for dimensionada para a procura elétrica mas o site não conseguir usar todo o seu calor, o calor excedente é descartado e a utilização do combustível colapsa para a da geração comum — ponto em que o argumento desaparece em grande medida.

Por isso, a regra cardinal é dimensionar a CHP para o calor que o site consegue usar de forma fiável e contínua, não para a sua carga elétrica. As melhores aplicações têm uma procura de calor estável e durante todo o ano — calor de processo, água quente, vapor ou aquecimento de espaços que funciona muitas horas por ano. Um site com procura de calor apenas intermitente ou sazonal é um candidato fraco, porque o motor passaria grande parte do tempo a desperdiçar calor.

Relação calor-eletricidade e correspondência

Diferentes tecnologias de CHP produzem diferentes proporções de calor e eletricidade — a sua relação calor-eletricidade. Uma boa instalação adequa essa relação à própria relação do site entre a procura de calor e a de eletricidade, de modo que ambas as saídas sejam usadas.

Se um site precisa de muito mais calor do que eletricidade, uma tecnologia que produz relativamente mais calor encaixa bem. Se precisa de mais eletricidade, um motor primário diferente serve. Caracterizar em conjunto as procuras de calor e de eletricidade do site — por quantidade e pela forma como variam ao longo do dia e do ano — é a análise que determina se a CHP encaixa e qual o tipo. Acertar nesta correspondência é o que separa uma CHP que se paga de uma que desilude.

Motores primários

Várias tecnologias servem de motor primário que gera a eletricidade e o calor recuperável:

  • Motores alternativos a gás — comuns a pequena e média escala, com calor recuperado do escape e do arrefecimento do motor; relativamente mais eletricidade, calor de grau mais baixo.
  • Turbinas a gás — adequadas a cargas maiores e mais estáveis, com calor de escape de alto grau bem adequado à geração de vapor.
  • Turbinas a vapor — onde se gera vapor de alta pressão e a eletricidade é extraída dele no caminho para um uso de processo de pressão mais baixa.
  • Pilhas de combustível — uma opção emergente que oferece elevada eficiência elétrica e operação limpa.

A escolha decorre da escala, do grau de calor exigido e da correspondência calor-eletricidade, e não de uma única melhor tecnologia.

A CHP numa rede em descarbonização

O argumento para a CHP a combustível fóssil assentou historicamente em deslocar tanto o combustível da caldeira como a eletricidade da rede, que era ela própria em grande parte de geração fóssil. À medida que as redes acrescentam geração de baixo carbono, o benefício de carbono de gerar eletricidade no local a partir de gás natural enfraquece, porque a eletricidade da rede que desloca está a ficar mais limpa.

Isto não torna a CHP obsoleta, mas muda a análise. As vias que a mantêm relevante incluem operar a CHP com combustíveis de baixo carbono, como biometano ou hidrogénio, usá-la onde a procura de calor no local é genuinamente alta e contínua, e valorizar o seu papel na resiliência e no apoio à rede. A questão da descarbonização — que combustível, e quão limpa é a rede com que compete — pertence agora ao centro de qualquer avaliação de CHP.

Como avaliar a CHP para um site

Uma avaliação disciplinada segue o calor:

  • Reduza primeiro a procura — recupere o calor residual, corrija a combustão e isole as superfícies quentes — para que a CHP seja dimensionada para uma carga de calor real e enxuta.
  • Caracterize a procura de calor e de eletricidade em conjunto, por quantidade e pela sua estabilidade.
  • Dimensione para a procura de calor contínua e utilizável, nunca apenas para a carga elétrica.
  • Adeque a relação calor-eletricidade e o grau de calor do motor primário ao site.
  • Teste o argumento de carbono face à rede atual e futura, e considere combustíveis de baixo carbono.

Onde um site tem uma procura de calor grande e estável, a CHP permanece um dos usos mais eficientes do combustível disponíveis; onde não tem, o calor é desperdiçado e o argumento cai.

Perguntas frequentes

Por que a CHP consegue usar o combustível de forma tão eficiente?

Porque capta o calor que a geração de eletricidade normalmente desperdiça e usa-o no local. Ao produzir tanto eletricidade como calor útil a partir de um lote de combustível, uma CHP bem aplicada usa uma parcela muito mais alta da energia do combustível do que a geração separada e uma caldeira separada usariam.

A CHP deve ser dimensionada para a procura elétrica ou de calor?

Para a procura de calor. A vantagem de eficiência depende de o calor recuperado ser usado, pelo que uma unidade dimensionada para a eletricidade que não consegue usar todo o seu calor descarta o excedente e perde o benefício. As melhores aplicações têm uma procura de calor estável e durante todo o ano.

O que é a relação calor-eletricidade e por que importa?

É a proporção de calor face a eletricidade que uma tecnologia de CHP produz. Adequá-la à própria relação do site entre a procura de calor e de eletricidade garante que ambas as saídas sejam usadas. Um desfasamento significa que ou o calor ou a eletricidade é desperdiçado, minando a economia.

A CHP ainda faz sentido à medida que a rede se descarboniza?

Depende. À medida que as redes acrescentam geração de baixo carbono, o benefício de carbono de gerar eletricidade no local a partir de gás natural enfraquece. A CHP mantém-se relevante onde a procura de calor é alta e contínua, com combustíveis de baixo carbono como biometano ou hidrogénio, e para a resiliência, pelo que o contexto do combustível e da rede tem de ser central à avaliação.

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